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Dorme horas suficientes, mas não descansa? O relógio biológico pode ter a resposta.

¿Duermes las horas suficientes, pero no descansas? El reloj biológico puede tener la respuesta.

Dormir oito horas, deitar-se a uma hora razoável e, ainda assim, acordar com a sensação de não ter descansado. Ou precisar de vários dias (ou até semanas) para voltar a adaptar-se à rotina depois das férias.

São situações mais comuns do que parecem e, muitas vezes, são simplesmente atribuídas à falta de sono ou ao cansaço acumulado. No entanto, existe outro fator que pode influenciar de forma importante a forma como descansamos e como nos adaptamos aos horários: o relógio biológico.

Mas o que acontece quando esse relógio deixa de estar sincronizado?

O que é realmente o relógio biológico?

O nosso organismo dispõe de um sistema interno que coordena numerosos processos fisiológicos ao longo do dia. Este «relógio biológico», também conhecido como ritmo circadiano, regula funções tão importantes como:

  • O momento em que sentimos sono.
  • Os períodos de maior energia e concentração.
  • A libertação de determinadas hormonas.
  • A temperatura corporal.
  • Os ciclos de descanso e atividade.

Para se manter sincronizado, este relógio utiliza principalmente a luz natural como referência. No entanto, também pode ser influenciado por fatores como os horários de sono, as refeições, a atividade física ou mudanças bruscas na rotina.

Por isso, depois das férias, de uma viagem com mudança de fuso horário ou de um período com horários irregulares, o organismo pode precisar de tempo para voltar a ajustar-se.

Nem todas as pessoas têm o mesmo cronótipo

Certamente conhece alguém que está cheio de energia logo de manhã, enquanto outras pessoas sentem que começam a ter um melhor desempenho no final do dia.

Isto não significa que umas pessoas sejam mais disciplinadas do que outras. Em grande parte, está relacionado com o cronótipo, ou seja, a predisposição natural de cada pessoa para estar mais ativa de manhã, à tarde ou num ponto intermédio.

De forma geral, podemos distinguir três cronótipos:

  • Matutino: as pessoas tendem a acordar facilmente e concentram o seu maior desempenho durante as primeiras horas do dia.
  • Intermédio: apresentam uma adaptação mais flexível aos horários habituais.
  • Vespertino: tendem a sentir-se mais ativas à tarde ou à noite e têm mais dificuldade em acordar cedo.

Nenhum cronótipo é melhor do que outro. O problema surge quando o nosso relógio biológico e as exigências do dia a dia não estão alinhados.

Por exemplo, uma pessoa com tendência vespertina que tem de se levantar muito cedo todas as manhãs pode sentir sonolência constante ou falta de descanso, mesmo dormindo um número suficiente de horas.

O que é a cronodisrupção?

A cronodisrupção é um estado em que o relógio biológico deixa de estar corretamente sincronizado com os ritmos naturais do organismo ou com as exigências da vida quotidiana.

Por outras palavras, é como se o nosso «relógio interno» e os nossos horários deixassem de estar em sintonia.

Esta dessincronização pode afetar diferentes ritmos biológicos, como o ciclo sono-vigília ou os períodos de atividade e descanso, dificultando o funcionamento coordenado do organismo.

Embora possa surgir por diferentes motivos, é mais frequente em pessoas que:

  • Trabalham por turnos rotativos ou noturnos.
  • Viajam frequentemente com mudanças de fuso horário (jet lag).
  • Alteram habitualmente os seus horários de sono.
  • Passam por mudanças importantes nas suas rotinas, como acontece depois das férias ou durante determinados períodos de trabalho.

Quando esta situação se mantém ao longo do tempo, pode afetar não só a qualidade do sono. Também tem sido associada a um maior risco de desenvolver determinadas doenças ou ao agravamento de patologias já existentes.

Por isso, identificar se existe uma alteração do ritmo circadiano pode ser um passo importante para compreender a origem de alguns problemas relacionados com o descanso e avaliar estratégias destinadas a voltar a sincronizar o relógio biológico.

Qual é o papel da melatonina neste processo?

A melatonina é uma hormona que participa na regulação do ritmo circadiano. A sua produção varia naturalmente ao longo do dia e ajuda o organismo a identificar quando é o momento de se preparar para dormir.

No entanto, mais do que conhecer um valor isolado, é muito mais útil observar como a melatonina evolui ao longo do dia e verificar se esse comportamento é o esperado de acordo com o cronótipo de cada pessoa.

Precisamente por isso, o estudo da curva de melatonina permite avaliar o ritmo circadiano e identificar possíveis estados de cronodisrupção. Para tal, analisa-se a concentração de melatonina na saliva em diferentes momentos do dia e compara-se com o cronótipo da pessoa.

Como pode ser estudado se o relógio biológico está sincronizado?

Atualmente, existem testes específicos que permitem analisar objetivamente o funcionamento do relógio biológico.

O Teste de Melatonina do Laboratorio Echevarne avalia a concentração de melatonina na saliva em diferentes momentos do dia e compara-a com o cronótipo da pessoa. Além disso, inclui questionários validados que avaliam o cronótipo, a qualidade do sono, a sonolência diurna e um diário do sono, proporcionando uma visão global do ritmo circadiano de cada pessoa.

Graças a esta abordagem, é possível identificar se existe um desfasamento entre o relógio biológico e o cronótipo, informação que pode ser útil para compreender determinadas alterações do sono e orientar as medidas mais adequadas para favorecer a sincronização do ritmo circadiano.

Quando pode ser útil estudar o relógio biológico?

Compreender como funciona o nosso relógio biológico pode fornecer informações relevantes quando existem dificuldades persistentes relacionadas com o sono ou com a adaptação a determinados horários.

Este tipo de avaliação pode ser especialmente útil para pessoas que apresentam alterações do ritmo do sono relacionadas com mudanças de horário, trabalho por turnos ou jet lag. Também pode fornecer informações em pessoas com stress prolongado, síndrome de burnout ou naquelas que desejam conhecer melhor o seu ritmo biológico para gerir a sua saúde de forma proativa.

Porque, por vezes, o problema não é dormir menos, mas dormir num momento que não coincide com o funcionamento natural do nosso organismo.

No Laboratorio Echevarne, o Estudo do Sono analisa a curva de melatonina juntamente com o cronótipo e outros parâmetros relacionados com o descanso para identificar possíveis estados de cronodisrupção. Esta informação deve ser sempre interpretada no contexto clínico de cada pessoa e juntamente com a avaliação de um profissional de saúde.